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Onde a palavra é insuficiente e onde não cabe a imagem. Aquela coisa da neblina e a dificuldade de alcançar o chão; firmar o pé no piso frio. A Lara leu minha mão há uns três anos e as linhas contaram uma história, mas ela me disse que mesmo as linhas podem mudar com o tempo. Quando eu olho para cima, na cozinha de casa, tem dois quadrinhos feitos pela minha avó; são pinturinhas de paisagem. Ali, os rios dela são tão calmos que me fazem acreditar na ideia de ela ter atingido o chão. Certo dia, estávamos tomando café e, me roubando a conversa, minha respiração começou a acelerar mais uma vez. Neste momento escutei minha avó me dizendo "é o pó do fogo", então perguntei o significado do que tinha assimilado ser uma expressão desconhecida. Ela só balançou a cabeça "o que eu falei foi para você ir lá fora desenhar um pouco". 

 

A série "pó do fogo" visa construir uma narrativa através de pinturas e anotações produzidas em um álbum fotográfico. Nele encontram-se registros realizados no período antecedente e durante a pandemia do vírus COVID-19. Memórias e narrativas construídas neste albúm formam um diário, em processo, da vivência tensionada pela atual conjuntura. 

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